Clipe Within, Without You - Criado por Marcelo Bonachela

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

terça-feira, 27 de agosto de 2013

sábado, 24 de agosto de 2013

quarta-feira, 26 de junho de 2013

O Arco-íris


A vida é representada por inúmeras sensações. Muitas delas repulsivas e tantas outras exuberantes, entretanto, nenhuma se iguala ao Arco-íris.
A beleza, o esplendor da efemeridade talvez seja o auge do exagero que, paradoxalmente, faz perpetuar algo tão suave. Suas cores são harmoniosamente acomodadas para nos maravilharmos.
Seus gestos são delicados e intensos. É impossível não perceber seus movimentos e inimaginável não sentir seu  toque, uma vez que seu toque é sentido pela alma.
A pergunta angustiante é: O que fazer quando nos resta apenas o lindo fundo azul da tela? O que fazer quando a suavidade das nuvens não aplaca a saudade das vibrantes cores? Ficamos, em vão, buscando simulacros em cristais mas, nem o mais puro vidro traz o alívio que desejamos.
E por sinal, qual será o desejo do Arco-íris? Acredito que sua intenção seja de levar ao coração dos céticos e materialistas a dúvida, posto que, diante desta senda heptagonal, resta apenas sentir que o milagre é corriqueiro e que Deus é perfeito.

Arco-íris, sua beleza é vista em minha imaginação e em meu coração  mesmo durante a gélida e escura madrugada. Seus gestos são a encarnação de todas as divindades e, sua ausência apenas nutre a cada dia a esperança de, afortunadamente, olhar para o céu e contemplá-lo. 
E, por fim, o seu desejo, com certeza, nunca entenderei.




sexta-feira, 21 de junho de 2013

Organizando os textos do meu blog, encontrei este que se adapta à proposta absurda da "Cura Gay". 



Em uma aldeia, vivia Lekh, um jovem gigantesco, solitário, digno, que ganhava a vida como caçador. Às vezes, Lekh ficava dominado por uma raiva silenciosa. Nestas ocasiões, fixava os olhos nos pássaros colocados nas gaiolas, resmungando alguma coisa para si mesmo. Finalmente, depois de um demorado exame, escolhia o pássaro mais forte, prendia-o ao seu pulso, e preparava tintas de diferentes cores, que misturava com os componentes mais variados. Quando as cores o satisfaziam, Lekh virava o pássaro e começava a pintar suas asas, sua cabeça e seu peito, com tons de arco-íris, até que se tornasse mais saliente e vivo do que um buquê de flores do campo.
Depois, ia até a parte mais fechada da floresta. Quando chegava a esse ponto, Lekh retirava o pássaro e segurava-o em sua mão, a comprimi-lo levemente. O pássaro começava a chilrear e atraía um bando da mesma espécie que voava nervosamente sobre nossas cabeças. O prisioneiro, ao ouvi-los, voltava-se para eles, gritando mais alto, enquanto seu coração, trancado num peito recentemente pintado, batia violentamente.
Quando um número suficiente de pássaros se reunia, Lekh libertava o prisioneiro. O pássaro levantava vôo, feliz e livre, um ponto de arco-íris num fundo de nuvens, e depois mergulhava no bando que o esperava. Durante um instante, os pássaros ficavam confusos. O pássaro pintado voava de um extremo ao outro do bando, em vão tentando convencer os da sua espécie que era um deles. Mas, fascinados por suas cores brilhantes, eles voavam à sua volta, não convencidos. O pássaro pintado era empurrado para um ponto cada vez mais distante do bando, embora tentasse desesperadamente entrar nas suas fileiras. Logo depois, um pássaro depois do outro atacava-o violentamente. Em muito pouco tempo, a forma de muitas cores perdia seu lugar no céu e caia no chão. Esses incidentes ocorriam muitas vezes. Quando depois encontrava os pássaros pintados, estes quase sempre estavam mortos. Lekh examinava atentamente o numero de bicadas que os pássaros pintados tinham recebido. O sangue escorria de suas penas pintadas, diluindo a tinta e sujando as mãos de Lekh.

O Pássaro Pintado é o símbolo perfeito do outro, do estranho, do Bode expiatório: se o Outro é diferente dos membros do rebanho, é expulso do grupo e destruído; se é como eles, o homem intervém e faz com que pareça diferente, de forma que possa ser expulso do grupo e destruído. Assim como Lekh pinta seu pássaro, os psiquiatras e os psicoterapeutas tiram a cor de seus pacientes, e a sociedade, como um todo, mancha os seus cidadãos. Esta é a estratégia maior de discriminação e formação de bode expiatório. O homem busca, cria e atribui diferenças, a fim de que possa alienar o outro. 
Ao eliminar o Outro, o Homem Justo se engrandece e exprime sua cólera frustrada de uma forma aprovada por seus semelhantes. Para o Homem Justo -o animal do rebanho- a segurança reside na semelhança. Por isso o conformismo é bom e a divergência é má.

Quem quer que valorize a liberdade individual, a diversidade humana e o respeito por pessoas não pode deixar de ficar consternado diante desse espetáculo. Para quem acredita que o Homem Justo (o psiquiatra, a família, a imprensa...) deve ser um protetor do indivíduo, mesmo quando este está em conflito com a sociedade, torna-se mais consternador ainda que, em pleno século 21, pintar pássaros tenha se tornado uma atividade aceita.

Jerzy Kosinski (Adaptado)

domingo, 5 de maio de 2013

Quem muito se acha...

É evidente que devemos manter ao longo da vida uma boa autoestima. 

Durante o amadurecimento, a minoria das pessoas consegue perceber melhor seus potencias e a respeitar os estágios de desenvolvimento dos que o rodeiam. A pessoa que muito se acha, acaba se equivocando radicalmente posto que nenhum humano possui tantas qualidades disponíveis o tempo todo. 

Muitos homens são assim em seus relacionamentos amorosos. A sua parceira é tida como ‘sortuda’ pois ele é maravilhoso, tolerante, bom amante (só nos delírios dele) e sabe que poderia estar vivendo algo muito melhor (Pobre Tiririca que no espelho enxerga um Braid Pitt). Infelizmente a parceira assume as falhas para si e aceita que a sua apatia sexual e a falta de carinho por parte dele são realmente responsabilidade dela. A incompetência do que ‘se acha’ em fazer as pessoas próximas felizes é projetada na insuficiência dos outros. São, segundo o ‘gostosão sem noção’, incapazes de desfrutar de suas qualidades. Ele não percebe que por ser raso e inseguro, conseguia sucesso no passado com namoros rápidos, ou, no presente, com amigos do futebol ou da happy hour onde, superficialmente, todos são legais. 

Cabe a mulher que persiste em permanecer ao lado desta “última bolacha do pacote” acordar deste pesadelo. Não existe este Marvel. Não existirão os momentos prazerosos que ele está se esforçando para conquistar. Apenas existiu uma superficial e excitante história de amor e paixão no passado que, por sinal, apenas lá foi capaz de ser tão incrível. O presente e o futuro não compartilham do mesmo ar, do mesmo potencial e do mesmo sonho. 

 Portanto, minha amiga, acorde deste sonho de Disney e busque aceitar que você amadureceu: virou mulher, aprendeu com a vida e, se acreditar, será capaz de conquistar seu espaço no mundo. Acredite nas pessoas que testemunharam esta decadência amorosa e viva seus anseios com maturidade e independência, afinal, você não é mais aquela menininha que precisava se apoiar nele. Você pode – no presente – ter relações verdadeiras (efêmeras ou não) e intensas. Seja Feliz por buscar e não se preocupe se irá alcançar. Seus sonhos merecem ser vividos.

- Marcelo Bonachela


domingo, 24 de fevereiro de 2013

O Silêncio


O silêncio nos remete a um agudo sentimento de ausência de perturbação da alma ou a um irresgatável sentimento de solidão. Neste estado, nossos pensamentos, literalmente, se materializam. No silêncio de nossas mentes podemos perceber os cheiros, os sons, as formas do pensamento. No silêncio a realidade concreta empobrece e surge, desveladora, a extravagante realidade de nossos pensamentos. No mundo das ideias, a memória e a imaginação são a base concreta de uma realidade que antecede o mundo das coisas. 

A memória nos fornece as ilusões e as dissimulações fundamentais para a nossa auto-concepção. A imaginação nos liberta do mundo newtoniano e nos lança além dos quatro limitantes elementos e precários quatro pontos. 

A mente, fortalecida por sua imperiosa presença criativa, desqualifica o mundo externo e sentencia o silencioso prisioneiro, a uma afonia escandalosa, posto que, todos os ouvem, mas ninguém consegue compartilhar de seus obscuros e ininteligíveis planos. 

Desta feita, caro amigo que reluta em se aventurar como um Narciso preso à maldição de sua exuberância, acredite que, querendo ou não, aceitando ou não, o mundo externo é o nosso verdadeiro mundo de realizações e esperanças. 

Mergulhe no mundo das ideias (apenas por poucos instantes) para trazer para a realidade externa os conteúdos de sua memória e de sua imaginação, pois estes, transformarão sua vida e vivificarão sua voz.

- Marcelo Bonachela


sábado, 2 de fevereiro de 2013

A Vida

A vida traz a alegria de volta aos nossos projetos. Ela significa os nossos esforços e legitima as nossas esperanças. Por outro lado, a Vida é o flagelo dos infelizes. É, infelizmente, para muitos, ato de penitência ou resignação frente às vicissitudes da vida (não é preciso que compartilhemos do castigo de Prometeu).

É doce porque nada cobra. É generosa e acolhedora. Permite ser desfrutada sem pudores. Ao mesmo tempo, a Vida seduz e, assim, goza da alegria de dar aos mortais a sua eterna beleza.

A Vida é prazer. A presença prazerosa da Vida nos torna crianças querendo não ir embora do parque; deste colossal e diversificado jardim das delícias chamado vida. Queremos nos divertir. Queremos nos lambuzar.

É resgate dos sonhos, dos deuses, do universo, enfim, de tudo que existe - ou não - no mundo real. Ela resgata a felicidade. Entorpece-nos com suas suaves formas e com a sua presença ... deliciosa. Suave e penetrante, enche de alegria nossos olhos e nossas mãos.

A Vida é paixão. Pura experiência descontrolada de nossas conexões neurais que insistem em acreditar que tudo nunca acabará. É dor mórbida quando sentimos que não estamos envolvidos o bastante e é dor prazerosa quando sentimos a sua reaproximação e nos envolvemos irracionalmente em seus encantos.

Apesar de tanta beleza e sedução, a Vida, como tudo no mundo, possui o outro lado. Ela é também cruel e impiedosa, pois nos faz desejar o impossível: Tocá-la e respirá-la por todo o sempre.

A Vida sabe - e se faz de ingênua - que seu enciumado amante, o Tempo, irá nos afastar dela para que apenas o casal viva o verdadeiro coniunctio:a Vida se embeleza no Tempo e o Tempo se revigora na Vida.Pobre de nós, mortais, que ousamos sonhar com aquela que é por todos desejada, mas que, por essência e exuberância, mais recebe do que dá.


- Marcelo Bonachela